Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Europa: que ambição?

Domingo, 17.11.13

Ao longo destas conferências, muitas são as reuniões para trocas de opiniões entre países e grupos de países e as organizações não governamentais de ambiente. Ontem estiveram juntos representantes da Presidência Lituana da União Europeia, da Comissão Europeia, as delegações de alguns países e a federação e representantes de organizações não governamentais da Europa, entre as quais a Quercus. E o verniz, se não estalou, este bem lá perto (passe a expressão mais popular). A grande diferença de opiniões foi entre a forma ambivalente como a associações acham que a Europa se está a comportar em termos negociais – se por um lado foi o bloco de países mais progressista, se é quem tem apresentado propostas mais consistentes, por outro lado é quem menos se quer comprometer com financiamentos (incluindo o futuro pós-crise, espera-se), e acima de tudo a que menos ambição mostra em termos de redução de emissões que pode efetivamente assegurar sem um esforço desmedido.

Vários rumores indicam que Comissão Europeia está a preparar uma proposta de meta climática para 2030 considerando uma magra redução de 40% em relação aos níveis de 1990. A União Europeia (UE) tem sido vista como o bloco que tende a marcar uma ambição elevada. No entanto, agora está a minar o seu própria objetivo de manter a temperatura global abaixo de 2° C.

Sim, 40% parece muito - por isso vamos explicar o que isso significa: a meta de 40 % para 2030, na prática, corresponde a fazer cortes de apenas 33% em 2030 devido à quantidade de licenças de emissão excedentes. Na verdade, a fim de acomodar o enorme excesso de oferta de licenças de poluição em excesso no mercado de carbono da UE, qualquer objetivo teria que ser 7% mais ambicioso. Em vez disso, o nível proposto seria insuficiente para orientar o sistema de energia da UE para longe do uso de carvão, ou de investimentos em energias renováveis e economia de energia. Felizmente, 40% não é o único número em cima da mesa. O Reino Unido pediu uma meta de 50 % em 2030, enquanto Ministro do Ambiente da Finlândia acha que é desejável entre 40% e 60%.

O grupo da UE " Crescimento Verde ", que consiste no Reino Unido, Alemanha, França, Itália, Espanha, Holanda, Bélgica, Portugal, Suécia, Dinamarca, Finlândia , Eslovénia, Eslováquia, Roménia e Estónia, pediram uma redução ambiciosa das emissões da UE a ser colocado sobre a mesa antes de reunião de líderes com Ban Ki-moon em 2014.

O foco é realmente a Alemanha, onde as negociações da coligação também apontam uma meta mínima de 40% de redução até 2030. As associações de ambiente pedem à UE para de comprometer a pelo menos 55 % de redução de emissões nacionais em 2030, no topo do qual viria o esforço internacional da UE.

A UE tem uma meta de redução de emissões a longo prazo de 80 a 95% em relação aos níveis de 1990 até 2050. Conseguir isso seria em próprios interesses económicos da União Europeia, bem como inspirados para outros seguirem o mesmo caminho - um verdadeiro "motorista da ambição". Mas 40% até 2030, com todas as falhas no sistema, levaria a UE fora da pista. Aliás, se considerarmos com base num relatório da Agência Europeia do Ambiente de Outubro deste ano que a Europa em 2012 já estava 18% abaixo dos níveis de 1990, e se acrescentarmos a margem considerável de créditos de carbono não usados, verifica-se na prática que a Europa já conseguiu uma redução de 26,7% em relação a 1990. Com 17 anos pela frente, é possível e necessário ir muito mais longe, com investimentos de futuro que só lhe proporcionarão emprego, crescimento económico, e fortes melhorias ambientais internas e para o planeta.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Quercus às 11:24





calendário

Novembro 2013

D S T Q Q S S
12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930