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Abertura do segmento ministerial - enquanto há esperança

Terça-feira, 19.11.13

Depois de uma performance artística, como é habitual nestes eventos, que terminou com um desenho da palavras “I care”, o primeiro-ministro da Polónia, Donald Tusk, referiu o facto da há cinco anos ter estado na abertura da reunião em Poznan e um ano depois não ter havido insucesso em Copenhaga. “Não podemos ter uma nova falha. O clima e as pessoas não suportam um novo falhanço”. Mencionou também o papel da crise económica que tem condicionado muitas decisões e as mudanças na energia à escala mundial (o condicionamento do nuclear com Fukushima e a revolução do gás de xisto). Com o relatório do Painel Intergovernamental das Alterações Climáticas, disse que esta é a altura certa para reafirmar que as alterações climáticas são um facto e que não podem ser colocadas em questão: “temos” (e não apenas “podemos”) que desenvolver mecanismos de colaboração com todos os países do mundo.

Sobre a Polónia referiu que tem conseguido crescimento económico com menores emissões, com um contexto energético difícil (baseado no carvão, facto muito questionado pelas organizações não governamentais nos últimos dias). Quanto à COP19, disse que "sem progressos aqui em Varsóvia, a conferência de Lima pode não vir a tempo de se concretizar um acordo.” Por último, referiu que algumas formas de energia (sem mencionar, mas a pensar no carvão) vão-se tornar mais amigas do ambiente e são fundamentais para uma diversidade de fontes que garantam os padrões de qualidade de vida. Sobre o gás de xisto, afirmou que se retirado de forma sustentável, será uma forma de proteger o clima no futuro (uma posição muito polémica num assunto que tem gerado grande controvérsia em vários países, incluindo na Europa como um todo). “Devemos conseguir alcançar os desafios que estão perante nós para termos sucesso”. Um discurso com aspetos controversos num país cujas políticas defendem pouco o clima.

Ban Ki-moon começou por falar das Filipinas e do medo de um clima em mudança. Afirmou que a ciência é clara - não podemos culpar a natureza, as alterações climáticas são responsabilidade humana, mencionando visitas recentes como à Islândia com os glaciares a derreterem, ou ao Sahara, onde os impactes são muito visíveis. Mencionou que tem dúvidas que se consiga não ultrapassar uma subida de temperatura superior a 2ºC em relação à era pré-industrial, mas vê progressos – por exemplo, as energias renováveis estão a aumentar. “É preciso construir neste momento. É preciso reduzir a pegada carbónica e chegar a um mundo neutro em termos de emissões. É preciso um acordo ambicioso”.

Destacou depois quatro áreas: é preciso ratificar o 2º período de compromisso do Protocolo de Quioto; é necessário financiamento, em particular para o Fundo Climático Verde, temos de construir uma agenda para o desafio climático e é preciso progresso substancial para chegarmos a acordo em 2015 em Paris.

Um importante elemento foi apresentar a data do encontro de alto nível que vai promover em Nova Iorque sobre alterações climática: 3ª feira, 23 de setembro (antes da reunião anual da assembleia geral). Explicou que é um complemento e não uma sessão de negociação e que é preciso acima de tudo liderança politica nos próximos tempos. “Não planeiem para o vosso país, ou para o vosso vizinho, mas para o vizinho do vosso vizinho. E não apenas para hoje, mas para amanhã e para muitas gerações.”

Jonh Ashe, Presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, reforçou de forma inequívoca a necessidade de haver um acordo em 2015, cobrindo as diversas vertentes relacionadas com as alterações climáticas, com particular ênfase nas questões do financiamento. "O mundo está cada vez mais frustrado com o ritmo a que tomamos decisões. Temos de chegar a um acordo até 2015, ponto”.

Christiana Figueres, secretária executiva da Convenção, referiu que a COP19 é uma chamada de uma ciência reforçada pelo relatório do Painel Intergovernamental das Alterações Climáticas e pela tragédia recente nas Filipinas. A reunião tem de ser uma resposta de ação climática. Um resultado forte em Varsóvia traz boas perspetivas para as próximas reuniões – tal é possível e necessário.

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por Quercus às 16:14

Quercus subscreve carta à chanceler Angela Merkel

Terça-feira, 19.11.13

 

As negociações entre os dois principais partidos que deverão formar uma coligação governamental na Alemanha tem progredido em diversas matérias, sabendo-se que uma das áreas cruciais em relação à qual ainda não há consenso é a referente às alterações climáticas. Nesse contexto, inúmeras organizações não governamentais de ambiente presentes em Varsóvia subscreveram uma carta onde se apela á Alemanha para mostrar ambição a nível nacional, europeu e internacional no traçar de metas de redução de emissões, financiamento, e de uma forma geral, nas decisões de política climática, no sentido de se obter um acordo frutuoso em Paris em 2015 e fortalecer o papel da União Europeia na liderança das medidas mais favoráveis na área da energia e clima.

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por Quercus às 12:27

O primeiro texto negocial relevante

Terça-feira, 19.11.13

Hoje está finalmente um dia de sol em Varsóvia o que pode ser um bom pronúncio para as negociações. O chamado segmento de alto nível, com a presença de Ban Ki-moon, Secretário-Geral das Nações Unidas que em Setembro de 2014 organizará a chamada conferência de líderes pelo clima em Nova Iorque, começará às 15h. De Portugal estará o Secretário de Estado do Ambiente Paulo Lemos – o Ministro do Ambiente chegará amanhã.

Entretanto, ontem pelas 10h da manhã foi distribuído o primeiro documento negocial, ainda muito sintético e em aberto, do que poderão ser as conclusões da conferência (proposto pelo coordenadores do chamado Ad Hoc Working Group on the Durban Platform for Enhanced Action (ADP). A linguagem pedindo maiores compromissos e metas pelos países desenvolvidos (dentro e fora do Protocolo de Quioto), bem como ações dos países em desenvolvimento é positiva mas ainda pode ser melhorada, exigindo por exemplo às economias emergentes metas pelo menos voluntárias numa primeira fase, para além de ações. Para o período pré-2020 falta a exigência aos países desenvolvidos para, até Junho de 2014 (na reunião intermédia em Bona), dizerem o que conseguirão atingir em 2020. O problema principal tem a ver com o plano de trabalho (o roteiro) para as metas pós-2020, onde deveria haver um calendário com os prazos e respetivos conteúdos para a submissão de metas até ao futuro acordo a assinar em Paris em 2015.

Assim, há ainda muito trabalho por fazer, abordando também questões críticas como o financiamento, adaptação, entre outras matérias que aliás não foram resolvidas por exemplo pelos chamados órgãos subsidiários do Protocolo de Quioto.

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por Quercus às 07:41





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