Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


ONG lamentam que a COP19 seja patrocinada por grandes corporações

Sexta-feira, 22.11.13

Chegados ao último dia da COP, tradicionalmente marcado pelo impasse e por longas horas de negociações, pode avançar-se já com duas marcas desta conferência sobre alterações climáticas: o arranque marcado pelos efeitos devastadores do tufão Hayian, nas Filipinas, e antes disso, a decisão de ter várias corporações a patrocinar o evento, uma opção vista por muitos como um mau prenúncio para esta ronda negocial.

O apoio empresarial não costuma ser tão evidente, mas o Governo polaco, anfitrião da COP19, decidiu contar com o apoio de uma dúzia de corporações “verdes”, segundo os organizadores, mas pouco amigas do ambiente, reclamam desde o início as ONG. O grupo inclui a Alstom, que patrocina as máquinas de água no recinto da COP19, e que é a empresa do sector da energia que forneceu a maior parte dos equipamentos das centrais a carvão em funcionamento da Polónia.

Outro patrocinador é a ArcelorMittal, a maior empresa mundial de siderurgia e exploração mineira, responsável por enormes emissões anuais de gases de efeito de estufa (GEE). É este o patrocinador dos pavilhões que foram montados no centro do estádio nacional de Varsóvia, espaços que acolhem os plenários e as principais salas da COP19.

O grupo inclui ainda a BMW Polónia, a General Motors, o Grupo Lotos da Polónia, da área petrolífera (patrocinador dos sacos entregues aos delegados), a PGE, a empresa estatal produtora de energia, e as companhias aéreas Polish Airlines e Emirates Airlines (patrocinadora dos ‘puffs’ para os delegados descansarem).

Escolhas que levam as ONG a afirmar que a COP19 é patrocinada pelo lobby dos combustíveis fósseis, uma sensação reforçada pela decisão do Governo de realizar durante o período da COP um encontro internacional sobre a indústria do carvão, o combustível predileto da Polónia. 

Vídeo crítico divulgado hoje pelas ONG juvenis:

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Quercus às 17:24

Marcin Korolec já não é ministro do ambiente, mas ainda é presidente da COP19

Quarta-feira, 20.11.13

Os participantes na COP19 foram hoje surpreendidos com o anúncio de que Marcin Korolec já não é o ministro do Ambiente polaco, mas o primeiro-ministro Donald Tusk pediu-lhe para continuar no governo e como presidente da COP19 (ver vídeo da conferência de imprensa). O novo ministro do Ambiente é Maciej Grabowski, mas ainda não se sabe se irá aparecer na conferência que decorre em Varsóvia até sexta-feira.

Korolec tentou tranquilizar os participantes e assegurou que irá manter-se na condução da COP, agora "mais concentrado” no sucesso das negociações. Esclareceu também que a decisão sobre a troca de titulares da pasta do ambiente, entre outras visadas pela remodelação, só será aprovada formalmente na quarta-feira da próxima semana, a 27 de Novembro, e que ficará responsável plenipotenciário pela pasta da política climática e com o cargo de secretário de Estado do Ambiente, responsável pelo tema das alterações climáticas.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Quercus às 15:29

Mais dois “Fósseis do Dia” para repetentes: Polónia e Austrália

Quarta-feira, 20.11.13

Faltou dar conta aqui dos dois mais recentes “Fósseis do Dia”, o galardão das ONG para os países com piores prestações nas COP. O último conhecido foi atribuído na segunda-feira ao país anfitrião, a Polónia, devido à sua dependência do carvão, o maior contribuinte para o aumento de CO2 antropogénico na atmosfera e o principal responsável pela actual crise climática.

Numa tentativa cínica de promoção do carvão, o Governo polaco está a apoiar uma Cimeira Internacional sobre Carvão e Clima, “o evento mais importante da indústria do carvão do ano", no âmbito do qual o ministério polaco da economia e Associação Mundial de Carvão desenvolveram o “The Warsaw Communiqué”, uma declaração que alega que “há uma concepção errónea de que o uso do carvão é incompatível com a resposta ao desafio das alterações climáticas”.

Como a secretária-executiva da Convenção Quadro da ONU sobre Alterações Climáticas (UNFCCC), Christiana Figueres, disse nesta cimeira, se quisermos garantir um clima de segurança, a maior parte das reservas conhecidas de carvão terá que ficar no solo.

Também na segunda-feira, um grupo de 27 cientistas publicou uma declaração (ver PDF) que desmonta a tese do “carvão de alta eficiência” promovido nesta cimeira. Os cientistas confirmam que a continuação da queima de carvão tornará impossível a garantia de um clima seguro. Segundo a Agência Internacional de Energia, se quisermos ter alguma hipótese de ficar abaixo do limiar dos 2ºC de aumento de temperatura, dois terços das reservas conhecidas de combustíveis fósseis devem permanecer no solo.

Apesar disso, o primeiro-ministro polaco afirma que, à semelhança do passado, a Polónia continuará a depender do carvão. E, apesar de 80% de polacos pensarem que as alterações climáticas são um problema sério e que a Polónia deve fazer mais para o evitar, o Governo tem prevista a exploração de uma das maiores reservas de linhito (um tipo de carvão) do mundo, num projecto que implicará o realojamento de 20 mil pessoas.

Segundo as ONG da Rede de Ação Climática (CAN), que integra a Quercus, a Polónia poderia reduzir metade da sua procura por carvão, aumentar a energia proveniente de fontes renováveis em mais de 25 por cento e criar 100 mil postos de trabalho até 2030. Em vez disso, o Governo pretende aumentar as emissões de gases de efeito de estufa, mesmo 2020.

E vão 4 para a Austrália

Antes, no sábado, foi a vez da Austrália receber o quarto “Fóssil do Dia” consecutivo, num feito inédito que leva as ONG a questionarem se o país quer ultrapassar o Canadá em número de “fósseis” ganhos numa COP. Depois de receber o primeiro galardão na segunda-feira, por recusar apresentar novos compromissos financeiros, a Austrália insistiu na “retórica desagradável” e tentou minar o próprio conceito de financiamento climático. O Governo australiano afirmou que “não é realista, nem aceitável” que haja obrigações financeiras novas por parte dos países desenvolvidos, numa tentativa de minar um dos pilares da UNFCCC.

A Austrália recusa que o financiamento climático se transforme numa espécie de prestação social, mas as ONG lembram que se trata de uma obrigação moral dos países desenvolvidos e de um compromisso legal que estes assumiram devido à sua responsabilidade pelas aliterações climáticas. Um novo financiamento climático adequado e previsível – principalmente oriundo de dinheiros públicos – não é uma parte opcional da UNFCCC, mas sim um dos seus alicerces, sem o qual toda a arquitectura internacional do clima desmorona, afirmam as ONG. [Fonte: CAN]

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Quercus às 08:30

CCCC (não é engano!)

Segunda-feira, 18.11.13

A central termoelétrica a carvão de Siekierki é facilmente visível a sul do Estádio Nacional, em Varsóvia, onde decorre a COP. Operacional desde 1961, tem uma potência de 622 MW e fornece calor para uma grande parte da cidade. É propriedade desde 2012 da PGNiG, uma empresa de gás natural de petróleo controlada pelo Estado polaco. As emissões de CO2 da estação são cerca de 3,2 milhões de toneladas/ano.

A Polónia, como país com a Presidência de uma Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, dificilmente conseguiria fazer pior do que receber e promover no dia de hoje o que é anunciado como o "evento do ano mais importante da indústria do carvão”. Apenas a três quilómetros de distância do local onde as discussões sobre a forma de evitar os piores impactes do aquecimento global estão em andamento, os lobistas do carvão repetem a mentira de que salvar o clima e queimar carvão podem ir de mãos dadas. Tudo isso é aplaudido e apoiado pelo governo polaco, o mesmo que convidou os negociadores climáticos para Varsóvia.

Enquanto o governo da Polónia está fixado em proteger a indústria do carvão contra as políticas climáticas eficazes, a esmagadora maioria dos cidadãos polacos são a favor da proteção do clima e gostaria de ver mais investimentos em energia renovável, em vez dos enormes subsídios estatais irem para o carvão.

Encontrando-se isolado na União Europeia e acusado de abusar da Presidência da Conferência para promover sua própria agenda, o governo polaco aos seus últimos verdadeiros amigos: a Associação Mundial de Carvão. Segundo a Agência Internacional de Energia, dois terços das reservas comprovadas de combustíveis fósseis devem permanecer no solo se quisermos ter alguma possibilidade de ficarmos abaixo de 2 °C de aquecimento.

Carvão e Clima têm apenas uma coisa em comum: ambas as palavras começam com C. Continuando essa Contradição, levará a Catástrofe Climática a não ser que o Carvão permaneça no Chão. Muitos C’s para que sejamos Claros!

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Quercus às 13:35

Governo polaco ganha segundo “Fóssil do Dia”

Quarta-feira, 13.11.13

O galardão das ONG para as piores prestações nas conferências do clima foi ontem atribuído ao Governo da Polónia, país anfitrião da COP19, pelo seu papel de “relações públicas da indústria do carvão”. A lista de razões é das mais extensas de sempre, e inclui o facto do país continuar a opor-se a que a UE assuma compromissos mais ambiciosos em matéria de alterações climáticas, bem como à circunstância de, em simultâneo com a COP, ter decidido co-organizar uma cimeira sobre carvão, em vez de promover um encontro sobre energias renováveis.

Os activistas da Rede de Ação Climática (CAN, na sigla em inglês) também não perdoam que a Polónia tenha convidado para patrocinadores da COP19 um conjunto de empresas poluidoras que se opõem a uma acção climática mais ambiciosa, nem a escolha da organização Business Europe para representar o sector empresarial nos eventos pré-COP.

Outros motivos foram os ‘posts loucos’ publicados na página oficial da COP19 sobre as vantagens económicas resultantes do degelo no Ártico, com a possibilidade de se perseguir “piratas, ecologistas e terroristas” no mar; e a recente publicação de retórica negacionista na aplicação móvel da conferência, com a frase “as alterações climáticas são fenómenos naturais que já ocorreram muitas vezes na Terra”. 

Mas nem tudo são más notícias para a Polónia, dado que o “Raio do Dia” foi atribuído aos polacos que recusam estar dependentes de um desenvolvimento baseado no carvão e defendem as energias renováveis. Segundo as sondagens, 89% dos polacos querem mais energia proveniente de fontes renováveis, e mais de dois terços (70%) defendem uma política energética que apoie as energias renováveis. 

Além disso, 73% dos polacos querem que o seu Governo se envolva mais nas ações globais para prevenir os efeitos negativos das alterações climáticas. “Com este raio dizemos: Obrigado, polacos, por apoiarem um futuro sem o caos climático. É mais que tempo do primeiro-ministro Tusk e do seu Governo ouvir o seu povo e iniciar uma revolução energética baseada na eficiência energética e nas energias renováveis. Toda a energia renovável para o povo polaco!” [Fonte: CAN International]

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Quercus às 08:30

A União Europeia precisa de um novo compromisso que faça avançar a ação climática internacional

Segunda-feira, 14.10.13

Foto: Conselho da União Europeia

Os ministros europeus do ambiente começaram hoje a preparar o terreno para a liderança da UE no avanço das próximas negociações internacionais sobre o clima [ver conclusões do Conselho Europeu do Ambiente]. A história tem mostrado que chegar às COP [Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas] com posições claras e coerentes é uma das melhores formas de influenciar positivamente as negociações.

“É boa a proposta da UE, que estabelece 2014 como prazo para que os países apresentem novas metas climáticas”, diz Ulriikka Aarnio, da Rede de Acção Climática (CAN Europa). "No entanto, os ministros não fazem qualquer referência ao aumento do objectivo europeu de curto prazo. A UE continua a desafiar os outros países a aumentar a ação, mas recusa rever a meta de 20% de redução de emissões até 2020, objectivo já ultrapassado. O aumento desta meta a nível europeu é fundamental para garantir os aliados de que a UE necessita, a tempo de assegurar um acordo ambicioso e vinculativo em 2015, em Paris”.

Para construir essas alianças com sucesso, os Estados-Membros devem também alterar a sua fraca abordagem ao financiamento climático. Amanhã, na reunião dos 28 ministros das Finanças da UE (Ecofin), os ministros devem esclarecer como vão cumprir as promessas que fizeram há alguns anos no sentido de intensificar a ajuda financeira aos países mais vulneráveis [saiba mais aqui]. Na Mesa Redonda de Alto Nível sobre Financiamento Climático na COP19, em Varsóvia, a UE deve estar pronta para firmar compromissos para 2014 e 2015, inclusive avançando com compromissos iniciais para o Fundo Verde para o Clima.

Infelizmente, as propostas europeias para o desenvolvimento das negociações sofreram um revés devido à conturbada presidência polaca da COP, que tem prejudicado gravemente a credibilidade da UE. O envolvimento da Polónia com o grupo de lobby anti-clima Business Europe na pré-COP, acolhendo uma polémica conferência sobre carvão e clima, e a aceitação de patrocínios de “empresas sujas”, provocaram tensões mesmo antes da COP ter início. Se quer ser vista como um dos actores relevantes nestas negociações, a UE tem de lidar com o comportamento contraproducente do seu estado pária.

(adaptado deste comunicado da Rede Europeia de Ação Climática - CAN Europe)

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Quercus às 19:22





calendário

Novembro 2013

D S T Q Q S S
12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930